Tecnologia espacial no diagnóstico da catarata

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A mesma tecnologia empregada na construção das naves espaciais pode auxiliar, futuramente, os oftalmologistas a diagnosticar a catarata em seu estágio inicial. Pesquisadores da Nasa e do Instituto Nacional de Olhos dos Estados Unidos desenvolveram um aparelho capaz de diagnosticar casos de pré-catarata, antes que a doença se desenvolva. Por meio de um exame não invasivo, o aparelho aponta quando os olhos estão perdendo um componente natural que impede que as cataratas apareçam. A descoberta traz um novo fôlego à luta contra a catarata, maior causa mundial de perda de visão. Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia apontam que são diagnosticados cerca de 120 mil novos casos por ano de catarata. Segundo o Ministério da Saúde, em 2008, foram realizadas 70.088 cirurgias pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Até hoje, encaramos a cirurgia como o único tratamento da catarata, por não dispormos de meio diagnósticos capazes de indicar, em tempo hábil, medidas preventivas a serem adotadas. Com o aparelho que está em teste nos Estados Unidos, abre-se uma nova possibilidade: a prevenção do desenvolvimento da doença. Hoje, a análise computadorizada do segmento anterior, realizada pelo Oculus Pentacam é o exame de imagem que apresenta resultados mais favoráveis, próximos do diagnóstico precoce da catarata, pois pode determinar a densidade do cristalino. O aparelho permite analisar, por meio do sistema Scheimpflug, a porção anterior do globo ocular e avaliar estruturas como a córnea, o ângulo camerular, o cristalino e a profundidade da câmara anterior. Segundo os pesquisadores do Instituto Nacional de Olhos dos Estados Unidos, o equipamento não-invasivo avalia, com o emprego de um laser, a concentração da proteína alfacristalina no tecido do cristalino. Essa proteína apresenta-se diminuída em pacientes com catarata. O cristalino fica entre a córnea e a retina e é composto por várias proteínas. Os pesquisadores desenvolveram uma fonte luminosa capaz de quantificar o brilho de cada uma. Para isso, avaliaram os olhos de 380 pacientes, entre 7 e 86 anos, e constataram que, quanto mais opaca a visão, menor a quantidade da proteína alfacristalina. Este é um avanço muito importante porque hoje, clinicamente, não conseguimos fazer esse tipo de diagnóstico: detectar a pré-catarata antes que o cristalino fique opaco. Esta tecnologia poderá ajudar a compreendermos o mecanismo de formação da doença. Para os pesquisadores que desenvolveram o novo aparelho, a vantagem de fazer um diagnóstico da queda da proteína alfacristalina antes de a catarata aparecer é estimular as pessoas a reduzirem o risco de desenvolver a doença, mudando hábitos de vida, como diminuir a exposição ao sol, parar de fumar e controlar os índices de diabetes. O aparelho americano também permite testes para verificar se determinados medicamentos previnem ou retardam a formação da catarata. Estudos envolvendo astronautas – cujos vôos os colocam em alto risco – e civis podem começar ainda neste ano. O governo dos Estados Unidos tem apenas alguns protótipos do dispositivo em teste. Médicos da Universidade Johns Hopkins já começaram o uso experimental para ver como o exame pode se encaixar no tratamento de uma variedade de pacientes. Concomitantemente, novos estudos vão aprofundar-se nas formulações especiais de antioxidantes – nutrientes que lutam contra o envelhecimento dos tecidos – tentando retardar a perda de alfacristalino.

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