Excelência no tratamento da catarata

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Sabemos que pelo menos 80% do contato com o mundo exterior do ser humano se realiza por meio da visão. Partindo desta premissa, devemos discutir a catarata considerando os seguintes pontos:

1) A catarata é a primeira causa de cegueira reversível no mundo Significa que quando bem tratada há recuperação completa da função visual. Aproximadamente 18 milhões de indivíduos de países em desenvolvimento contribuem para este número vergonhoso no século XXI.

2) A catarata atinge indivíduos acima da sexta década de vida, por isso é conhecida como catarata relacionada à idade. Pois bem, a faixa dos indivíduos idosos cresce de maneira vertiginosa não somente nos países desenvolvidos como também nos em desenvolvimento, o que acarreta um aumento considerável da incidência das doenças que atingem as pessoas da terceira idade, incluindo aqui a catarata. O número de cirurgias realizadas no Brasil é estimado em 350.000/ano (com provável déficit de aproximadamente mais 300.000 cirurgias), nos EUA o número é de 3 5 milhos de cirurgias por ano.

3) As tecnologias e técnicas para o tratamento da catarata apresentam hoje um índice de excelência espetacular e continuam em evolução.

Pois bem, temos uma doença incapacitante, com aumento expressivo da população que poderá ser afetada e uma tecnologia e técnica que propicia resultados altamente satisfatórios, porém de custo elevado devido ao material utilizado e tempo de aprendizado do profissional. Quando temos um paciente com catarata e com indicação cirúrgica, focando oferecer o nível de excelência máximo cito alguns pontos fundamentais:

1º) Pré-operatório:

  • Educar o paciente sobre doença, seu tratamento e opções para seu caso. É fundamental;
  • Exames oftalmológicos complementares como topografia, biometria óptica ou a laser, microscopia especular e avaliação da retina;
  • Orientar sobre possíveis modelos de lentes intraoculares, em base aos exames e ao estilo de vida do paciente.

2º) Transoperatório:

  • Cirurgia com alta imediata, não sendo necessário realizar em ambiente hospitalar. Porém, o local deve ter as condições necessárias e estar de acordo com as normas dos órgãos competentes;
  • Anestesia local;
  • Técnica de última geração com facoemulsificação e microincisão;
  • Utilização de lentes intraoculares, as mais apropriadas para o caso e tendo a grande chance de corrigir defeitos de visão como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia ou vista cansada.

3º) Pós-operatório: medicamentos com o intuito de evitar possíveis complicações e facilitar a recuperação.

Agora temos que analisar o problema socioeconômico.

A AMB – Associação Médica Brasileira por meio de suas diretrizes (equivalente a protocolo)http://www.projetodiretrizes.org.br/ que foi realizada sob orientação do CBO – Conselho Brasileiro de Medicina, estabelece as normas mínimas de tratamento da catarata no Brasil, com direito a uma lente intraocular básica. A ASCA – Ambulatory Surgery Center Association nos EUA que também tem um protocolo, porém todos os pacientes que desejam um tratamento com correção de vícios de refração devem participar dos gastos com a prótese não básica e a tecnologia extra que deva ser utilizada. Isto tem uma fundamentação econômica indiscutível: não há recursos necessários para próteses sofisticadas para 3.5 milhões de implantes/ano nos EUA. Daí hoje temos os pacientes que desejam e podem arcar com estas “despesas extras” se beneficiando de tecnologia de última geração e aqueles que não entram neste grupo, porém obtêm todos os benefícios da moderna cirurgia de catarata, ou seja, a recuperação funcional da visão. Alguns mitos que devem ser esclarecidos:

1º) A “lente intraocular importada” é melhor do que a nacional. Falso. Talvez dizer que a pesquisa e tecnologia de desenvolvimento nos países desenvolvidos envolvidos neste processo sejam mais avançados e com novidades constantes, o que permite ao cirurgião oferecer uma gama maior de opções.

2º) Utilizar correção óptica, óculos, pode não parecer inconveniente para muitas pessoas, porém uma boa qualidade de vida do ponto de vista visual numa idade em que outras disfunções podem acontecer, deve ser levado em consideração.

3º) Uma política “governamental sensível a cegueira reversível” tornaria o nosso país melhor. Acredito que todo oftalmologista daria sua contribuição.

Num futuro próximo teremos no Brasil o sistema denominado Laser Assisted Cataract Surgery o que equivale a cirurgia da catarata com utilização de laser. Trata-se de uma tecnologia, em desenvolvimento, porém aprovada pelo FDA (USA), Comunidade Europeia e em utilização em vários países da América Latina. Com a introdução deste laser, Femtosegundo, é possível realizar grande parte da cirurgia com extrema precisão diminuindo a diferença de resultados entre os cirurgiões e de paciente a paciente. Um grande avanço que estamos aguardando a liberação do seu uso a fim de beneficiar centenas de brasileiros.

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