Cirurgia de catarata a laser: cirurgia sem corte reduz o medo do paciente

UP (40)

Enfim, podemos afirmar que o “sonho do paciente com catarata” se realizou: a cirurgia para restauração da visão não precisa mais ser feita por meio de uma incisão cirúrgica?

Dr. Virgílio Centurion – Realmente a grande mudança na cirurgia da catarata com a introdução do femtosegundo é o de não utilizar lâminas de bisturi para realizar a incisão e sim o laser, que sendo uma “luz domesticada” pode agir com uma precisão espetacular, preservando ou não provocando danos a tecidos próximos.

Há quanto tempo as cirurgias de catarata estão sendo realizadas com o laser de femtosegundo nos Estados Unidos e na Europa? Os estudos publicados sobre o tema atestam a eficácia e a segurança da técnica?

Dr. Virgílio Centurion – O FDA dos Estados Unidos aprovou a utilização do femtosegundo em cirurgia de catarata no ano de 2010. Nos Estados Unidos, onde são realizados + 3.5 milhões de cirurgia de catarata por ano, mais de 30% já são realizadas pelo femtosegundo. No Brasil, a Anvisa aprovou a sua utilização em 2013. Os estudos publicados em diversos locais, em especial na Austrália, na Alemanha e nos Estados Unidos demonstram uma evolução constante e um refinamento da técnica que a cada dia se torna menos agressiva, com a recuperação da visão com menos efeitos colaterais que outras técnicas.

A atual cirurgia de catarata também é refrativa. O laser de femtosegundo também contribui neste aspecto cirúrgico?

Dr. Virgílio Centurion – E como contribui. A aplicação na córnea é sempre a mesma que o cirurgião planejou para diferentes pacientes, portanto o resultado da refração (grau dos óculos) é o mais próximo da realidade esperada com menor possibilidade de resultados inesperados. Provado está que a expectativa de vida aumenta de forma expressiva, poder oferecer uma visão útil e de qualidade aos indivíduos acima de 65 anos é o objetivo da moderna cirurgia da catarata agora realizada com o femto.

Quais os principais benefícios que a tecnologia do laser de femtosegundo agrega ao paciente com catarata?

Dr. Virgílio Centurion – O laser é uma tecnologia extremamente precisa. É precisão a palavra que descreve a necessidade que o cirurgião tem ao adotar uma nova tecnologia. Isto traz por consequência benefícios evidentes como:

1- Cirurgia muito mais amigável;
2- Resultados mais previsíveis e mais rápidos;
3- Menos efeitos colaterais.

E para os cirurgiões oftalmológicos, quais os principais benefícios proporcionados pela adoção dessa nova tecnologia?

Dr. Virgílio Centurion – Para os cirurgiões, as vantagens que mais me impressionaram e conquistaram no femto desde o início da sua adoção pelo nosso serviço foram:

  • A cooperação dos pacientes, que devem ser bem informados, nas diversas etapas da cirurgia;
  • A curva de aprendizado dos cirurgiões que é muito segura e curta;
  • A reprodutibilidade da cirurgia;
  • A previsibilidade dos resultados;
  • A recuperação e a qualidade da visão no pós-operatório.

Casos complexos de catarata, como o de núcleos opacos, opacidade ou edema corneano, bolha conjuntival devido à cirurgia de filtragem prévia ou pouca dilatação da íris são contraindicações para o procedimento. Há outros casos que contraindicam o procedimento, como o fato do paciente ser uma criança, por exemplo?

Dr. Virgílio Centurion – Cristalinos com comprometimento do sistema zonular (que são os ligamentos que mantêm o cristalino em posição correta) por doenças congênitas, adquiridas ou traumáticas; cristalinos de crianças onde a técnica exige variações sobre as utilizadas no adulto, são considerados como indicações que contribuem ao êxito cirúrgico quando utilizado o femtosegundo. O femtosegundo age melhor através de tecidos transparentes como a córnea, porém situações onde exista comprometimento grave destas estruturas, a cirurgia por femto estaria contraindicada. Outra situação difícil de superar com o femto é quando a pupila não dilata. Todas as situações até agora descritas não são absolutas e já existem variações das técnicas que são adaptadas caso a caso.

Como é o pós-operatório da cirurgia de catarata feita com o emprego do laser de femtosegundo? E o prognóstico de recuperação do paciente?

Dr. Virgílio Centurion – O bom do femtosegundo para o cirurgião é que após uma breve curva de aprendizado, ele pode instituir a tecnologia em sua rotina, que pouco muda no pré e pós-operatório. Sendo utilizada a anestesia tópica a base de colírio e sedação leve, a alta é imediata devendo fazer repouso relativo em casa. A utilização de colírios de antibióticos para a prevenção de infecção, anti-inflamatórios para acelerar a cicatrização e lubrificantes para estimular a fisiologia de superfície ocular fazem parte do pré e pós-operatório o que facilita e acelera a volta do paciente às atividades diárias. Não esquecer que o processo da cicatrização na espécie humana passa por diferentes fases e que a primeira semana, em qualquer cirurgia exige redução de atividades consideradas de “risco” para aquele procedimento. A prudência e orientação médica devem ser seguidas.

O paciente que já se submeteu a uma cirurgia de catarata tradicional num olho pode se submeter à cirurgia de catarata com o emprego de laser de femtosegundo no outro olho? Ele terá algum tipo de diferença no seu campo de visão?

Dr. Virgílio Centurion – Baseados em evidências científicas, ao compararmos os resultados anatômicos e funcionais da pós-cirurgia de catarata com ambas as técnicas, veremos que:

  • A refração residual pós-cirurgia deve ser menor ou mais perto do plano com o femtosegundo;
  • A recuperação visual é mais rápida, devido principalmente a menor ou a não utilização de ultrassom com o femtosegundo;
  • Devido à maior previsibilidade e reprodutibilidade da cirurgia, existe menor variação de resultados entre pacientes e entre diferentes cirurgiões.

Diante de tamanha evolução dos meios cirúrgicos para o tratamento da catarata, como ainda podemos aceitar que as estatísticas da Organização Mundial de Saúde apontem que a catarata é a maior causa de cegueira reversível no mundo?

Dr. Virgílio Centurion – Dá para entender gente faminta no mundo? Estima-se que em torno de 18 milhões de pessoas sofrem de deficiência visual grave ou incapacitante por causa da catarata. Estas pessoas povoam a África, Ásia e parte da América Latina. Educação do povo, profissionais capacitados e acessibilidade à promoção da saúde. Um país gasta muito mais com um deficiente visual não produtivo do que com a solução cirúrgica de catarata. Poderíamos chamar de falta de vontade política dos governantes? Ou talvez, índice da vergonha?

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