Como os raios UV podem contribuir para o surgimento da catarata?

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Um novo estudo oferece uma explicação detalhada sobre como os anos de exposição solar crônica podem aumentar o risco de catarata, turvação do cristalino, que normalmente ocorre com o envelhecimento. O estudo relaciona a exposição aos raios nocivos do sol a um processo natural do organismo chamado de estresse oxidativo.

É bem sabido que a exposição à radiação ultravioleta (UV) do sol pode causar danos à pele. No entanto, muitos estudos mostram também que a luz UV pode aumentar o risco de catarata e de outras doenças oculares.

O estresse oxidativo refere-se a reações químicas nocivas que podem ocorrer quando as células consomem oxigênio e outros nutrientes do organismo para produzir energia. É uma consequência de estarmos vivos, mas também é considerado um dos principais contribuintes para o envelhecimento e para as doenças relacionadas à idade, incluindo a formação da catarata.

As células do cristalino contêm principalmente água e proteínas e não possuem as organelas (literalmente “minúsculos órgãos”) tipicamente encontradas em outras células. Esta composição incomum do cristalino torna a lente transparente, para que ela seja capaz de transmitir luz, concentrando-a na retina, na parte posterior do olho. Quando a catarata se forma, as proteínas das células do cristalino mostram sinais de danos oxidativos: elas se aglutinam, espalhando a luz, ao invés de transmiti-la. Assim, na teoria, o estresse oxidativo é responsável por destruir as proteínas do cristalino, dando origem à catarata.

A teoria pode parecer simples, mas esse é um fenômeno complexo. As células mais velhas do cristalino não são apenas desprovidas de organelas, que mantêm a maioria das outras células vivas e funcionando, elas também podem receber pouco ou nenhum oxigênio. Então, como elas podem sofrer com o estresse oxidativo?

O novo  estudo, liderado por pesquisadores da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio, sugere que a luz UV pode dar uma resposta. O estudo mostra que a luz UV pode danificar proteínas do cristalino de um modo distinto, denominado glicação, que é tipicamente visto na catarata e em células danificadas pelo estresse oxidativo. Em outras palavras, a luz UV pode substituir o oxigênio e desencadear as reações oxidativas prejudiciais no cristalino.

Estudos anteriores têm apoiado essa teoria. Mas a equipe de Case Western revelou detalhadamente como essas alterações químicas são induzidas no cristalino pela luz UV.

Muitos estudos clínicos têm apontado que a exposição à luz UV é um fator de risco para a catarata relacionada à idade. Os raios de luz UV são invisíveis e têm comprimentos de ondas mais curtos do que a luz visível. Na atmosfera da Terra, a luz UV vem em duas variedades: os raios UVA e UVB. Suas contribuições para o aparecimento da catarata permanecem obscuras, mas os raios UVA penetram mais profundamente no corpo e podem ser mais propensos a atingir o cristalino. Por isso, os oftalmologistas recomendam o uso de óculos de sol com proteção contra os raios UVA e UVB.

Até agora, os raios UV já tinham papel definido na formação da catarata, mas o modo de processamento desse fenômeno ainda não era completamente conhecido. Os autores do estudo testaram os efeitos da luz UVA nas proteínas e nos produtos químicos encontrados nas células do cristalino. Eles descobriram que, na ausência de oxigênio, a luz UVA pode desencadear uma reação em cadeia que começa com derivados de aminoácidos chamados kynurenines e termina com a glicação de proteínas no cristalino. Em trabalhos anteriores, eles também mostraram que cobaias (ratos) geneticamente modificadas para produzir um excesso de kynurenines desenvolveram catarata aos 3 meses de idade. No estudo atual, quando o cristalino das cobaias (ratos) foi exposto a 2 horas de luz UVA intensa, ele acumulou danos: proteínas glicadas.

O estudo mostra como a luz UV pode promover o desenvolvimento da catarata e reitera a importância do uso dos óculos de sol. Os pesquisadores também descobriram que um antioxidante natural nos olhos e em outros tecidos, chamado glutationa, oferece pouca proteção contra os efeitos nocivos dos raios UV. Vários estudos clínicos testaram o potencial de suplementos antioxidantes para prevenir ou retardar a catarata relacionada à idade, com resultados mistos.

Há uma necessidade de compreender melhor em que medida os antioxidantes naturais e outros mecanismos no âmbito do cristalino podem oferecer alguma proteção contra o sol. Um desses mecanismos inclui as proteínas denominadas chaperonas, que podem prevenir que as proteínas danificadas se aglomerem. Quando estes mecanismos funcionam no cristalino e quando eles falham? Responder a essa pergunta pode levar a tratamentos com drogas para prevenir a catarata e talvez até mesmo o câncer de pele. O olho, especificamente o cristalino, proporciona um sistema útil, acessível para estudar medidas gerais para o corpo se defender contra a radiação UV.

 

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